O que é Saúde Integrativa?

O que é Saúde Integrativa?

A Saúde Integrativa representa uma evolução no cuidado médico, consolidando-se como uma abordagem transdisciplinar que busca harmonizar a medicina convencional com as práticas médicas tradicionais e complementares. Este modelo de saúde emergiu como um novo paradigma no final do século XX e continua a se desenvolver vigorosamente através de evidências científicas e práticas multidimensionais, moldando a maneira como entendemos o tratamento e a cura.

Fundamentos da Saúde Integrativa

A essência da Saúde Integrativa está na relação entre o profissional e o paciente, onde o foco se expande para entender e tratar o indivíduo em sua totalidade. Isso implica não apenas abordar sintomas físicos, mas também considerar fatores emocionais, sociais, e até espirituais que possam influenciar o bem-estar do paciente. Originada na virada do século, a Saúde Integrativa é uma resposta à necessidade de um cuidado mais abrangente e personalizado, caracterizada pela integração da Medicina Convencional com as Medicinas Tradicionais e Complementares, todas apoiadas por evidências científicas robustas.

Desenvolvimento e Reconhecimento Institucional

Historicamente, em 1999, grandes centros universitários de saúde dos Estados Unidos, com o suporte do National Center of Complementary and Integrative Health (NCCIH), formaram o Academic Consortium for Integrative Medicine & Health. Este consórcio inspirou a criação de consórcios semelhantes globalmente, como o Consórcio Holandês e o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa em 2018, ampliando o suporte acadêmico e a validação da prática integrativa globalmente.

Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a importância das Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) e promove a implementação dessas práticas nos sistemas de saúde de forma eficaz e segura. Desde 1999, o número de países com políticas nacionais para MTCI cresceu significativamente. No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi instituída em 2006, regulamentando e reconhecendo oficialmente 29 modalidades de práticas que abrangem racionalidades médicas e terapias não farmacológicas, incluindo Ayurveda, homeopatia, naturopatia e yoga.

Benefícios da Saúde Integrativa

A Saúde Integrativa provou ser especialmente benéfica em contextos de manejo de dor para militares e veteranos, gestão de sintomas em pacientes com câncer, e na promoção de comportamentos saudáveis. Estudos têm demonstrado que práticas como acupuntura, meditação, e yoga podem ajudar não só a reduzir a dor, mas também a melhorar a qualidade de vida de pacientes com diversas condições crônicas.

Para mais informações sobre a evolução e o impacto da Saúde Integrativa, visite National Center of Complementary and Integrative Health (NCCIH), Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e Organização Mundial da Saúde para entender melhor como essas práticas estão sendo integradas aos sistemas de saúde em todo o mundo.

EUA buscam aprimorar a saúde com modelo preventivo e cuidado de relacionamento

“Preservar e melhorar o valor dos cuidados primários – serviços eficazes, acesso para os pacientes, satisfação para os médicos – não será um resultado automático do reembolso baseado em valor, mas exigirá a reformulação do paradigma dos cuidados para se concentrar nas relações entre os quatro pilares dos cuidados primários: pacientes e suas famílias, médicos, sistemas de saúde e comunidades vizinhas.” 1

Imagem produzida por inteligência artificial (Midjourney).

Este é um resumo do artigo da NEJM Catalyst de 3 de outubro de 2023, de Luci K. Leykum, MD, MBA, MSc, “Reconceptualizing Primary Care: From Cost Center to Value Center”.

O texto aborda como os EUA buscam aprimorar a saúde com modelo preventivo e cuidado de relacionamento. O sistema de saúde dos EUA enfrenta desafios na transição para um modelo focado na prevenção, necessitando de investimentos em cuidados centrados no relacionamento e infraestrutura para melhorar a saúde pública e valorizar os profissionais.

A Reformulação da Atenção Primária: A Necessidade de um Modelo de Cuidado de Relacionamento

O sistema de saúde dos EUA está migrando para um modelo de pagamento fixo, onde clínicas e médicos recebem um valor determinado por paciente, em vez de pagamento por procedimento realizado, incentivando a prevenção e detecção precoce de doenças. 

A medicina de atenção primária é essencial nesse processo, pois foca no tratamento integral do paciente. No entanto, a ênfase apenas em receitas e corte de custos pode comprometer a qualidade do atendimento

É proposto um modelo de cuidado centrado no paciente, baseado em relacionamentos, que necessita de mais investimentos em atenção primária e salários justos. 

A documentação adequada é vital, embora tenha gerado práticas questionáveis. A solução pode estar em melhores ferramentas e suporte para médicos, direcionando-os a testes adequados e evitando hospitalizações desnecessárias.

O Cenário Atual da Saúde nos EUA

O cenário da saúde nos EUA enfrenta um desafio crescente, onde o lucro das instituições nem sempre reflete em pacientes saudáveis ou profissionais satisfeitos. 

A desconexão entre os princípios médicos e as políticas institucionais tem causado “lesão moral” e levado ao esgotamento profissional, tornando a atenção primária menos atrativa para novos médicos. Isso tem gerado uma mudança de carreira, com mais médicos escolhendo ser hospitalistas e optando por práticas “concierge” ou modelos de assinatura, potencialmente criando um sistema desigual. 

A economia imediatista de muitos sistemas de saúde tem prejudicado a atenção primária, essencial para a sustentabilidade do setor, exigindo uma reestruturação para beneficiar equitativamente médicos e pacientes.

A Necessidade de Investimento na Atenção Primária

A atenção primária nos EUA enfrenta um cenário de subfinanciamento e sobrecarga, onde médicos atendem a mais pacientes com mais exigências documentais, mas com recursos estagnados. 

Mesmo com o crescimento nos gastos com saúde, o investimento em atenção primária declinou de 6,5% em 2002 para 5,4%. As consultas, apesar de menos frequentes, tornaram-se mais complexas, focando em questões de saúde intrincadas e mental. 

Os modelos de reembolso também evoluíram, com ênfase decrescente no pagamento por serviço prestado. Em suma, é vital reavaliar o valor da atenção primária, reconhecendo seu papel fundamental no relacionamento com pacientes e comunidades, e buscando um atendimento mais abrangente, contínuo, acessível e coordenado, além da mera economia.

A Proposta do Modelo de Cuidado Baseado em Relacionamentos

Para implementar a Atenção Primária Baseada em Relacionamento, são necessárias mudanças significativas que vão além das abordagens tradicionais, como simples incentivos financeiros ou padrões de atendimento centrados no paciente. 

O modelo propõe uma reestruturação em áreas como planos de cuidados, que deverão abordar determinantes sociais da saúde e focar nos objetivos individuais do paciente. Equipes clínicas irão expandir para incluir profissionais interdisciplinares e redes comunitárias

A comunicação deve ser contínua e bidirecional, permitindo a criação de um entendimento comum entre paciente e médico. As atividades diárias irão incorporar meios de comunicação diversificados, como consultas virtuais e agendamentos adaptativos. E, em termos de avaliação, além das métricas tradicionais, o foco estará em evitar custos, resultados relatados pelos pacientes e na realização de objetivos de saúde.

Imagem retirada do artigo.

Entender o Paciente como um todo

A eficácia na atenção primária é intensificada quando entendemos o paciente em sua totalidade, abarcando contextos sociais, pessoais e médicos. Isso implica reconhecer determinantes sociais, como moradia e segurança alimentar, e considerar o apoio e conexões pessoais que influenciam na saúde do indivíduo. 

Os planos de cuidado precisam se alinhar com as capacidades e compreensões individuais de saúde do paciente. Além disso, uma única figura médica não é suficiente para atender a todas as necessidades; é preciso um time multidisciplinar adaptável, incluindo a colaboração com organizações comunitárias. 

Adotar uma abordagem baseada em relacionamentos vai além dos padrões convencionais e requer mudanças operacionais para efetivamente atender e se conectar com o paciente.

A Comunicação como Base do Cuidado

No modelo baseado em relacionamento, a comunicação com o paciente é contínua e adaptativa, permitindo ajustes nos planos de tratamento em tempo real. Embora os portais de pacientes modernos representem um avanço, ainda há lacunas, como a necessidade de um sistema unificado e canais para comunicações urgentes. 

Uma equipe dedicada pode gerenciar eficazmente as comunicações, filtrando questões e garantindo atenção adequada. A tecnologia não serve apenas como armazenamento, mas como uma ponte para entender as necessidades do paciente. 

No cotidiano, essa abordagem exige uma reorganização do tempo, priorizando interações significativas e abrangentes com os pacientes em vez de consultas rápidas e isoladas.

Avaliação do Atendimento Baseado em Relacionamento

O sucesso do atendimento primário baseado em relacionamento depende do apoio de organizações comunitárias e de uma avaliação abrangente que considere feedbacks dos pacientes e métricas clínicas e financeiras

Ferramentas como “mapas de jornada” podem ajudar os pacientes a compreenderem seu cuidado. 

Enquanto alguns sistemas de saúde já estão adotando essa abordagem, é vital que os modelos de remuneração sejam ajustados para valorizar esse tipo de atendimento. 

Para isso, os sistemas de saúde devem investir em infraestrutura de atendimento primário, oferecer salários competitivos para clínicos e fortalecer as conexões entre hospitais e comunidades. O objetivo é priorizar relações robustas para otimizar o cuidado ao paciente.

Exemplos de Cuidados Primários Baseados em Relacionamento

Há exemplos de cuidados primários baseados em relacionamento em diversas organizações. A “Camden Coalition” destaca-se pela integração de serviços de moradia e tratamento de abuso de substâncias, enquanto a “Nationwide Children’s Primary Care” foca na nutrição e atividade física. “Oak Street Health” atende principalmente idosos, “One Medical” oferece acesso rápido através de uma taxa de assinatura e a “South Central Foundation” serve comunidades indígenas, integrando práticas tradicionais. “UT Health Austin” e “Veterans Health Administration” ressaltam a saúde comportamental e o cuidado alinhado ao paciente, respectivamente. Todas essas organizações demonstram aspectos variados de cuidado relacional, como redes comunitárias, atendimento em equipe e avaliação centrada no paciente.

A Infraestrutura de Cuidados Primários

A infraestrutura de cuidados primários é subfinanciada, apesar de sua comprovada eficácia em melhorar a saúde da população e reduzir custos. 

Uma infraestrutura robusta envolve tecnologia para melhorar a comunicação, equipes bem organizadas para um cuidado holístico, recursos para gerenciamento da saúde da população e integração da saúde comportamental

Além de beneficiar o sistema de saúde, investir adequadamente nessa área e dar autonomia aos clínicos pode melhorar os resultados clínicos e reduzir o estresse entre os profissionais. 

É crucial conectar os investimentos em infraestrutura com os resultados em saúde, garantindo a responsabilidade dos sistemas de saúde e dos cuidados primários.

Ajustes nos Salários dos Médicos de Cuidados Primários

Apesar de mudanças no reembolso dos médicos de cuidados primários, seus salários não têm acompanhado essas alterações adequadamente

A maioria das clínicas não reajustou os salários em relação ao aumento no reembolso, e a dependência das unidades de valor relativo (RVUs) pode não refletir adequadamente o desempenho dos médicos. 

Há uma diferença significativa entre os salários atuais e o que seria ideal para manter uma força de trabalho adequada. Modelos alternativos, como os de “concierge”, mostram que os médicos poderiam gerenciar menos pacientes, garantindo um atendimento de qualidade

Para apoiar um cuidado baseado em relacionamento, os modelos salariais devem se adaptar, refletindo o valor real dos cuidados primários e incentivando profissionais dedicados a permanecer no campo.

A Importância das Conexões entre Sistemas de Saúde e Comunidades

Para promover a saúde da população, é essencial estabelecer conexões fortes entre sistemas de saúde e comunidades, colaborando com organizações locais para atender às necessidades holísticas dos indivíduos

Esta abordagem vai além das práticas médicas tradicionais, buscando parcerias com entidades locais, como supermercados e grupos familiares, para oferecer programas como aulas de culinária saudável e orientação para pais. 

Em vez de os sistemas de saúde tentarem fornecer todos os serviços, aliar-se a organizações comunitárias torna-se uma estratégia mais eficaz e eficiente. 

As ações propostas vão desde aumentar recursos financeiros para atenção primária e incorporar avaliações do contexto do paciente até estabelecer comunicação em tempo real com as equipes de cuidados e adaptar modelos de atendimento para melhor atender às necessidades dos pacientes.

O Papel das Redes na Saúde

Aplicando a teoria de redes à saúde, destaca-se a essencialidade de estabelecer conexões robustas entre pacientes, profissionais de saúde, sistemas de saúde e comunidades. 

Estas conexões bilaterais entre organizações que atendem grupos similares otimizam o encaminhamento e integração de pacientes. Para fortificar essa rede, é crucial ter um representante na atenção primária focado em desenvolver parcerias com organizações comunitárias. 

Através de investimentos adequados e valorização do cuidado primário, pode-se combater o esgotamento profissional e promover um cuidado fundamentado em relacionamentos duradouros

A ênfase deve estar na criação de uma infraestrutura que beneficie todos os envolvidos e que potencialize a comunicação e conexão para melhores resultados em saúde.

A Construção de Relacionamentos Duradouros

Tornar-se um provedor eficaz na atenção primária requer a construção de relacionamentos duradouros com os pacientes, colaboração com uma equipe interprofissional e estabelecimento de parcerias com a comunidade. 

Essa abordagem, orientada pelo relacionamento, envolve um atendimento coletivo focado nas necessidades holísticas dos pacientes, comunicação eficaz para construir confiança e resolver problemas, organização diária que priorize essas interações e o estreitamento de laços com organizações comunitárias, visando um impacto ampliado na saúde geral da população.

Referências:

  1. Leykum LK. Reconceptualizing Primary Care: From Cost Center to Value Center. Catalyst non-issue content. 2023;4(5). Disponível em: https://catalyst.nejm.org/doi/full/10.1056/CAT.22.0462

Texto e imagens feitas com auxílio de inteligência artificial: chatGPT, Clarice.ai e Midjourney.

Atenção Integrativa